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	<title>Arquivo de Opinião - My Imunologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica e outros profissionais de saúde dedicados à Imunologia</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 May 2026 08:06:01 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - My Imunologia</title>
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		<title>Doença de Behçet: aftas “banais” podem esconder a doença</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/doenca-de-behcet-aftas-banais-podem-esconder-a-doenca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 08:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo de opinião, João Araújo Correia, especialista em Medicina Interna na Unidade Local de Saúde de Santo António, aborda a Doença de Behçet (DB), uma patologia inflamatória sistémica frequentemente mascarada por manifestações comuns, como aftas orais recorrentes e lesões genitais, o que contribui para atrasos no diagnóstico e prolonga o sofrimento de muitos doentes. [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Neste artigo de opinião, <strong>João Araújo Correia</strong>, especialista em Medicina Interna na Unidade Local de Saúde de Santo António, aborda a Doença de Behçet (DB), uma patologia inflamatória sistémica frequentemente mascarada por manifestações comuns, como aftas orais recorrentes e lesões genitais, o que contribui para atrasos no diagnóstico e prolonga o sofrimento de muitos doentes. Leia o artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DB caracteriza-se pela presença de aftas orais dolorosas e recidivantes, às vezes também com úlceras genitais semelhantes. As aftas são queixas frequentes, com múltiplas causas, desde alimentares a alérgicas ou muitas outras. Estas manifestações clínicas tão prevalentes são muitas vezes desvalorizadas pelo médico, que não compreende o quanto elas comprometem a qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser uma doença rara fora dos países da “rota da seda”, onde é um verdadeiro problema de saúde pública, sendo responsável por cerca de 25% dos casos de cegueira, ainda tem uma prevalência apreciável nos países do sul da Europa. Como é uma doença sem análises ou testes que a identifiquem, dependendo em absoluto da valorização do conjunto de sinais clínicos que conferem os critérios internacionais definidos para o diagnóstico, que por vezes ocorrem ao longo dos anos, precisam de um médico atento e dedicado! Por essas razões, queixas “vulgares” mais chatas do que graves e falta de exames diagnósticos, os doentes andam muitos anos em desespero, até que alguém os ouça e lhes dê atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É verdade que na maioria dos doentes esta vasculite não atinge órgãos vitais, e é uma doença de gravidade ligeira quando é apenas mucocutânea (aftas orais, úlceras genitais, lesões inflamatórias da pele, etc.). No entanto, pode comprometer a vida ou gerar sequelas permanentes. Se diagnosticarmos os doentes de DB na fase das aftas orais, talvez consigamos evitar que tenham as formas mais graves da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O doente com DB deve confiar no seu médico e evitar a consulta ao “Doutor Google” sem orientação, pois corre o risco de ficar em pânico perante o relato de casos clínicos raros muito graves. De facto, há muitos cenários preocupantes: desde o clássico atingimento do olho (uveíte crónica e cegueira), ao intestino (Doença Inflamatória Intestinal), ao vascular (tromboses ou aneurismas venosos e arteriais), ao neurológico (défices neurológicos ou trombose) e ao articular (espondiloartropatia inflamatória).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia é que os casos graves são pouco frequentes e que hoje temos muitos medicamentos altamente eficazes. Mesmo quando os doentes nos aparecem nas piores situações clínicas da DB, se os médicos não se atrasarem no diagnóstico, podemos esperar o controle da doença, sem sequelas do surto agudo.</p>
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		<title>Tiroidite de Hashimoto: o &#8220;termostato&#8221; do corpo pode voltar a funcionar em pleno equilíbrio</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/tiroidite-de-hashimoto-o-termostato-do-corpo-pode-voltar-a-funcionar-em-pleno-equilibrio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 07:59:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 25 de maio assinala-se o Dia Mundial da Tiroide, uma data dedicada à sensibilização para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças desta glândula. A propósito desta efeméride, Carlos Carneiro, especialista em Medicina Interna e presidente do NEDAI, assina este artigo de opinião, onde reflete sobre esta patologia. Leia o artigo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No dia 25 de maio assinala-se o Dia Mundial da Tiroide, uma data dedicada à sensibilização para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças desta glândula. A propósito desta efeméride, <strong>Carlos Carneiro</strong>, especialista em Medicina Interna e presidente do NEDAI, assina este artigo de opinião, onde reflete sobre esta patologia. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Tiroidite de Hashimoto pode parecer um nome assustador quando surge pela primeira vez num relatório médico. As estatísticas indicam que a doença é significativamente mais comum em mulheres do que em homens, surgindo frequentemente entre os 30 e os 50 anos, embora possa manifestar-se em qualquer idade. Entre as patologias que afetam esta pequena glândula em forma de borboleta, situada na base do pescoço, a Tiroidite de Hashimoto é a mais prevalente. A Tiroidite de Hashimoto é uma doença autoimune, o sistema imunitário produz anticorpos que, por erro, identificam as células da tiroide como elementos estranhos. O resultado é uma inflamação crónica que, progressivamente, destrói o tecido glandular. O corpo produz anticorpos (como o anti-TPO e anti-tiroglobulina) que atacam a tiroide, causando uma inflamação crónica. Com o tempo, este ataque contínuo pode danificar a glândula, impedindo-a de produzir hormonas suficientes para as necessidades do corpo. É aqui que surge o hipotiroidismo. A tiroide é o &#8220;termostato&#8221; do corpo; ela dita o ritmo do seu metabolismo. Quando os níveis hormonais baixam, tudo abranda. Os principais sintomas que podem surgir são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:16px">Fadiga extrema e sonolência persistente.</li>



<li style="font-size:16px">Aumento de peso sem alteração na dieta.</li>



<li style="font-size:16px">Sensibilidade ao frio (mãos e pés sempre gelados).</li>



<li style="font-size:16px">Pele seca, unhas quebradiças e queda de cabelo.</li>



<li style="font-size:16px">Névoa mental (dificuldade de concentração e memória).</li>



<li style="font-size:16px">Alterações de humor, como depressão ou ansiedade.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico é geralmente simples, realizado através de análises ao sangue que medem a hormona TSH, a T4 livre e a presença de anticorpos anti-tiroperoxidase (anti-TPO e anti-tiroglobulina) que deve ser completado com a realização de ecografia a tiroide.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo do tratamento não é &#8220;curar&#8221; a autoimunidade, mas sim repor o que falta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento padrão pode passar pela toma diária de levotiroxina, uma hormona sintética idêntica àquela que o seu corpo deveria produzir. Quando a dose é ajustada corretamente pelo seu médico, a maioria dos sintomas desaparece e o risco de complicações a longo prazo é drasticamente reduzido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a medicação seja crucial, muitos doentes sentem-se melhor ao adotar estratégias complementares:</p>



<ol start="1" class="wp-block-list">
<li style="font-size:16px">Alimentação Anti-inflamatória: Focar em alimentos reais, ricos em selénio (como a castanha-do-pará) e zinco, pode ajudar a reduzir a inflamação. Alguns doentes relatam melhorias ao reduzir o glúten, embora isto deva ser discutido com um especialista.</li>



<li style="font-size:16px">Gestão do Stress: O cortisol (hormona do stress) pode exacerbar a resposta autoimune. Práticas como ioga ou meditação são aliadas valiosas.</li>



<li style="font-size:16px">Sono de Qualidade: A tiroide precisa de descanso para que o sistema endócrino funcione em equilíbrio.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Receber este diagnóstico não significa que terá uma qualidade de vida inferior. Significa apenas que o seu corpo exige uma atenção mais consciente. A Tiroidite de Hashimoto exige um compromisso para toda a vida com a monitorização médica, mas está longe de ser uma sentença de mal-estar. Com o diagnóstico precoce, o ajuste correto da medicação e a monitorização clínica e imagiológica adequada, o &#8220;termostato&#8221; do corpo pode voltar a funcionar em pleno equilíbrio.</p>
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		<item>
		<title>LES em Portugal: avanços, desafios e o caminho por fazer</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/les-em-portugal-avancos-desafios-e-o-caminho-por-fazer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 14:38:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Lúpus, que se assinalou a 10 de maio, Daniel Guimarães de Oliveira, especialista em Medicina Interna da ULS Tâmega e Sousa e investigador na Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica do ICBAS e no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, reflete sobre os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A propósito do Dia Mundial do Lúpus, que se assinalou a 10 de maio, <strong>Daniel Guimarães de Oliveira</strong>, especialista em Medicina Interna da ULS Tâmega e Sousa e investigador na Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica do ICBAS e no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, reflete sobre os desafios atuais no diagnóstico, tratamento e acompanhamento desta patologia em Portugal, destacando a importância de uma abordagem mais equitativa, multidisciplinar e centrada no doente. Leia o artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A 10 de Maio assinalou-se o Dia Mundial do Lúpus.[1] Algures entre 3 e 5 milhões de pessoas vivem com a doença em todo o mundo;[2,3] cerca de 400.000 são diagnosticadas todos os anos.[2]</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, onde se estima que cerca de 10.000 pessoas (0,1% da população) vivem com Lúpus Eritematoso Sistémico (LES),[4] o diagnóstico chega algures durante o primeiro ano de sintomas, mais cedo do que a mediana europeia de dois anos.[5,6] Parece pouco, mas o atraso no diagnóstico tem implicações prognósticas importantes. E o percurso não é igual para todos. Populações mais desfavorecidas, em particular fora dos maiores centros urbanos, têm resultados piores e entraves adicionais.[7] Capacitar os cuidados multidisciplinares especializados nas instituições que cobrem estas áreas é cada vez mais importante para um sistema de saúde verdadeiramente eficiente, e equitativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos poucos dados nacionais. As fontes mais relevantes sobre a experiência de viver com lúpus têm sido concebidas e interpretadas em parceria com associações de doentes.[5,8] São elas que nos dizem que a fadiga afecta 88% dos doentes portugueses e continua a ser o sintoma mais sub-tratado;[8] que o &#8220;brain fog&#8221; é real, mas que &#8220;nevoeiro mental&#8221; provavelmente ainda não é mencionado suficientemente na consulta; que um quarto dos doentes sente que o que expressa não é suficientemente valorizado; que 36% dos insatisfeitos com o controlo da doença não chegaram sequer a comunicá-lo ao médico.[8] Enquanto profissionais de saúde, é cada vez mais importante a luta pela literacia em saúde e o tempo (e espaço) para uma comunicação frutífera com o doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, a terapêutica evoluiu significativamente. Sabemos há muito que cada miligrama de corticóide tomado de forma crónica aumenta o risco de dano a longo prazo, e novas opções terapêuticas oferecem-nos uma via validada de escape, com benefícios comprovados na redução da actividade inflamatória, no aumento das taxas de remissão, na manutenção desta e na prevenção de dano. O acesso a essas opções é, porém, desigual: na identificação, na seleção, na prescrição, na aprovação, na manutenção do tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há progressos reais, mas perguntas essenciais por responder, particularmente a nível nacional. O progresso, como sempre, virá da comunicação, do apoio, da partilha, entre pares e entre profissionais de saúde e doentes como parceiros ativos de investigação e desenvolvimento.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Referências Bibliográficas</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[1] World Lupus Federation. World Lupus Day. worldlupusfederation.org/world-lupus-day (acedido em Maio de 2026).</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[2] Siegel CH, Sammaritano LR. JAMA 2024;331(17):1480-1491.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[3] Hoi A, Igel T, Mok CC, et al. Lancet 2024;403:2326-2338.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[4] Branco JC, Rodrigues AM, Gouveia N, et al. RMD Open 2016;2:e000166.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[5] Cornet A, et al. Lupus Sci Med 2021;8:e000469.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[6] Living with Lupus in 2020 &#8212; Country Level Data: Portugal. Lupus Europe, 2021.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[7] De Oliveira DG, Karakikla-Mitsakou Z, Koskina L, Arnaud L. Autoimmunity Reviews2025;24:103887. [8] Cornet A, et al. Autoimmunity Reviews 2025;24:103838.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Doenças reumáticas: uma realidade que afeta mais de metade da população portuguesa</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/doencas-reumaticas-uma-realidade-que-afeta-mais-de-metade-da-populacao-portuguesa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:49:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Portugal, mais de metade da população pode ser afetada por uma doença reumática, com impacto significativo na qualidade de vida. Neste artigo de opinião, Natália Oliveira, do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes da SPMI e coordenadora da Unidade de Doenças Autoimunes da ULSTS, destaca a importância do reconhecimento precoce destas patologias, do acompanhamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, mais de metade da população pode ser afetada por uma doença reumática, com impacto significativo na qualidade de vida. Neste artigo de opinião, <strong>Natália Oliveira</strong>, do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes da SPMI e coordenadora da Unidade de Doenças Autoimunes da ULSTS, destaca a importância do reconhecimento precoce destas patologias, do acompanhamento multidisciplinar e dos avanços terapêuticos que têm transformado o prognóstico dos doentes, reforçando a necessidade de centrar os cuidados na pessoa e no conhecimento científico. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dia Mundial das Doenças Reumáticas, assinalado a 12 de outubro, é um momento privilegiado para refletir sobre a relevância crescente destas patologias no âmbito da Medicina Interna e, em particular, das doenças autoimunes sistémicas.<br>Este dia convida-nos a olhar com atenção para um grupo de doenças que afeta milhões de pessoas em todo o mundo — e Portugal não é exceção. Estima-se que 56 % da população portuguesa possa ter uma doença reumática, responsáveis, na maioria dos casos, por incapacidade física prolongada, perda de autonomia, elevado impacto psicológico e consequente absentismo laboral ou reformas antecipadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças reumáticas podem surgir em qualquer idade e incluem um vasto conjunto de entidades clínicas, muitas de natureza autoimune, como o lúpus eritematoso sistémico, a síndrome de Sjögren, a artrite idiopática juvenil, a esclerose sistémica, a doença de Behçet e as vasculites. Com expressão clínica heterogénea e frequentemente insidiosa — dores articulares persistentes, febre, fadiga intensa, alterações cutâneas ou problemas nos rins, pulmões ou coração — estas patologias colocam desafios diagnósticos e terapêuticos significativos, exigindo acompanhamento multidisciplinar e uma abordagem verdadeiramente holística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O médico internista tem um papel fundamental na identificação precoce e no seguimento destas doenças. A capacidade de integrar sinais e sintomas multissistémicos é essencial para reconhecer padrões clínicos sugestivos e encaminhar atempadamente para investigação especializada. O seguimento regular permite avaliar a evolução da doença, monitorizar complicações e gerir comorbilidades, incluindo o risco cardiovascular acrescido, a osteoporose induzida por corticoterapia e as infeções associadas à imunossupressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos desafios, a medicina tem feito grandes progressos. Os avanços terapêuticos das últimas décadas — dos fármacos biológicos às terapias alvo dirigidas a vias específicas da resposta imunitária — transformaram o prognóstico de muitos doentes, permitindo controlar melhor a doença e oferecer uma qualidade de vida muito superior à de décadas passadas. Ainda assim, a deteção precoce continua a ser essencial para evitar complicações e preservar a saúde a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar da saúde começa pelo conhecimento. Ao dar visibilidade a estas doenças, abrimos caminho para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais eficazes e, sobretudo, para uma melhor qualidade de vida de todos os que enfrentam diariamente o desafio de uma doença reumática. Persistem, contudo, importantes metas: definir estratégias terapêuticas personalizadas, gerir complicações e comorbilidades cumulativas, garantir acesso equitativo às terapias inovadoras e integrar medidas não farmacológicas — como exercício físico, nutrição adequada, apoio psicológico e estratégias de autocuidado — cuja importância é cada vez mais sustentada pela evidência científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este dia é mais do que um marco simbólico: é uma oportunidade para reforçar a sensibilização pública, o diagnóstico precoce, a investigação clínica e a colaboração entre especialidades. É também um apelo à consciência coletiva, através do reconhecimento de sinais de alerta, da procura atempada de ajuda médica e da criação de meios que apoiem os doentes para que mantenham uma vida ativa e plena. Informar, esclarecer e desmistificar são passos essenciais para que cada pessoa, doente ou não, possa agir a tempo e participar ativamente na própria saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto médicos — e em particular como internistas — temos a responsabilidade de ser facilitadores desta ponte entre ciência, prática clínica e qualidade de vida. O desafio é claro: continuar a construir caminhos para o futuro, centrando os cuidados de saúde no doente, sustentados no conhecimento científico e na colaboração multidisciplinar.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Miosites: patologias raras, mas com um impacto profundo na vida dos doentes</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/miosites-patologias-raras-mas-com-um-impacto-profundo-na-vida-dos-doentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 10:23:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Campar, da unidade de Imunologia da ULS Santo António, no âmbito do Dia Mundial da Miosite, destaca os desafios das miopatias inflamatórias idiopáticas, a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar, e a necessidade de sensibilizar médicos e público para estas doenças raras, mas de grande impacto na vida dos doentes. Leia o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Campar</strong>, da unidade de Imunologia da ULS Santo António, no âmbito do Dia Mundial da Miosite, destaca os desafios das miopatias inflamatórias idiopáticas, a importância do diagnóstico precoce e da abordagem multidisciplinar, e a necessidade de sensibilizar médicos e público para estas doenças raras, mas de grande impacto na vida dos doentes. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dia Internacional de Sensibilização para a Miosite, recentemente criado, é o Dia Mundial da Miosite, comemorado anualmente a 21 de setembro. Foi proposto e fundado por um grupo internacional de organizações de doentes, pretendendo sensibilizar o público em geral e a comunidade médica para as ‘miosites’, ou seja, as miopatias inflamatórias idiopáticas (MII), promover a investigação nesta área e apoiar os doentes, sensibilizando para os desafios enfrentados por aqueles que vivem com a doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo patologias raras, são doenças com morbi-mortalidade significativa, provocando um profundo impacto na vida pessoal e profissional dos doentes por elas afetados, tanto em fase aguda (actividade da doença), como em fase crónica (dano da mesma), além do impacto psicológico em pessoas jovens em plena idade activa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Não há dados oficiais, de forma global, sobre a prevalência e/ou incidência das ‘miosites’ em Portugal. No entanto, são doenças raras, pelo que a prevalência e incidência são baixas. A implicação directa centra-se no atraso do diagnóstico, que passa, necessariamente, por um diagnóstico diferencial exaustivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As miopatias inflamatórias idiopáticas (MII), ou ‘miosites’, são doenças crónicas com uma evolução por surtos de agudização, muitas vezes desencadeados por infecções. A etiologia é autoimune, mas a fisiopatologia não está ainda totalmente esclarecida, sabendo-se, no entanto, que uma desregulação do sistema imune inato e adquirido tem um papel fundamental no aparecimento e perpetuação do processo patológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tratam-se de doenças sistémicas, ou seja, além do atingimento muscular e cutâneo, envolvem, frequentemente, outros órgãos e sistemas, nomeadamente com doença intersticial pulmonar ou poliartrite. Estes atingimentos extra-músculo/ pele, não raramente, são a forma de apresentação da doença (isoladamente e, por vezes, durante vários anos), realçando a importância de conhecer os fenótipos clinico-serológicos, mais recentemente descritos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clinicamente, tratam-se, predominantemente, de mulheres (40-50 anos), com sintomas de fraqueza muscular proximal e simétrica, incluindo músculos do pescoço (disfagia/ disfonia), mas poupando os músculos para-espinhais e oculo-motores. Apresentam instalação insidiosa e evolução progressiva. As mialgias são tipicamente ausentes ou ligeiras e não há outros sintomas neurológicos (como câimbras, disestesias, alteração dos reflexos, etc). Podem apresentar lesões cutâneas típicas (sobretudo em áreas foto-expostas) e habitualmente pruriginosas. Tipicamente, apresentam associação a sintomas constitucionais (astenia, anorexia com perda ponderal, febre) e de outros órgãos e sistemas (poliartralgias, dispneia, fenómeno de Raynaud). A dispneia poderá ser devida a atingimento pulmonar intersticial (até 50% dos dentes), ou, atingimento cardíaco, o qual sendo extremamente raro, pode associar-se a sintomas típicos de insuficiência cardíaca rapidamente progressiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento precoce da doença é fundamental para se excluírem outras doenças associadas, como neoplasias, e instituir um tratamento adequado e, sobretudo, atempado, no sentido de controlar os sintomas e evitar sequelas locais (músculo e/ou pele) e sistémicas (pulmão e coração) (i.e., dano orgânico).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico é clínico e baseia-se essencialmente no diagnóstico diferencial e reconhecimento de fenótipos clinico-serológicos, com uma importância crescente da presença de determinados auto-anticorpos, que, no contexto clínico apropriado e exclusão de outras causas, dispensam estudo complementar adicional. Existem múltiplos auto-anticorpos específicos e associados às miosites, mas cerca de 20-30% das MII são seronegativas, o que não exclui o diagnóstico. A biópsia muscular, tal como a ressonância magnética muscular, têm indicações específicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A classificação clínica é importante, não só em termos de diagnóstico, mas essencialmente em termos de prognóstico, estratégia terapêutica e monitorização a longo prazo. Os principais fenótipos reconhecidos nos adultos, actualmente, são: Dermatomiosite clássica, Dermatomiosite amiopática, Miopatia necrotizante imunomediada (MNIM), Síndrome Antisintetase, Miopatia de overlap, Miosite de corpos de inclusão, Polimiosite, Miopatia inflamatória inespecífica e Miopatia paraneoplásica. Actualmente, a MNIM é considerada o subtipo de ‘miosite’ mais frequente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento, actualmente, é empírico, isto é, não há terapêutica <em>on-label</em>, aplicando-se os mesmos princípios que usamos noutras doenças autoimunes sistémicas, embora com algumas particularidades. Obviamente e tal como noutras doenças autoimunes sistémicas, depende da gravidade da doença e do doente em particular. Mas, o tratamento atempado pode prevenir a aquisição de dano ao nível de vários órgãos, nomeadamente pulmonar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, as miopatias inflamatórias idiopáticas (‘miosites’), sendo doenças raras, têm um impacto muito significativo na sobrevida e qualidade de vida dos doentes. O factor determinante do prognóstico é um diagnóstico precoce, o que implica um elevado grau de suspeição <em>a priori</em>, aliado a uma discussão multidisciplinar por equipas experientes nesta área. O tratamento, sendo empírico, se atempado, pode alterar a evolução e o prognóstico funcional dos doentes.</p>
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		<title>Entre o diagnóstico e o acompanhamento: o desafio da doença de Sjögren</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/entre-o-diagnostico-e-o-acompanhamento-o-desafio-da-doenca-de-sjogren/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 15:52:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença de Sjögren é um desafio clínico pela sua diversidade de manifestações e impacto na qualidade de vida do doente. Neste artigo, Glória Alves, especialista em Medicina Interna da ULS do Alto Ave, partilha a sua perspetiva sobre o diagnóstico, acompanhamento e tratamento destes doentes. Leia o artigo de opinião. A doença de Sjögren [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A doença de Sjögren é um desafio clínico pela sua diversidade de manifestações e impacto na qualidade de vida do doente. Neste artigo, <strong>Glória Alves</strong>, especialista em Medicina Interna da ULS do Alto Ave, partilha a sua perspetiva sobre o diagnóstico, acompanhamento e tratamento destes doentes. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doença de Sjögren (DS) é uma doença autoimune sistémica crónica. A sua prevalência varia entre 0,06 e 1,5%. Apresenta a maior assimetria na distribuição por género de todas as doenças autoimunes sistémicas, com um rácio feminino/masculino de 10/1. Apesar de poder ocorrer em todas as idades, tipicamente diagnostica-se entre os 30 e os 50 anos. É uma doença fenotipicamente variada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Xerostomia e xeroftalmia, fadiga e dor articular são os sintomas mais frequentes, encontrados em mais de 80% dos doentes. A inflamação crónica das glândulas lacrimais reduz a produção de lágrimas e resulta em olho seco, causando sintomas oculares, tais como prurido ocular, fotofobia e “olho vermelho”. Em casos severos, pode culminar em abrasão ou ulceração corneana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As alterações na qualidade e quantidade da saliva são responsáveis pela presença de queixas de boca seca, dificultando a mastigação e deglutição de alimentos secos, provocando alterações no paladar e perturbando a fala. Nos casos de disfunção mais severa, podemos objetivar eritema e atrofia da mucosa oral, fissuras da língua, queilite angular, candidíase oral e cáries dentárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das glândulas salivares e lacrimais, podem também ser afetadas as vias aéreas superiores e a orofaringe, resultando em tosse persistente e disfonia. Outros sintomas comuns são a xerodermia e a secura vaginal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A poliartralgia na DS verifica-se em mais de um terço dos doentes. O fenómeno de Raynaud é relatado em até um terço dos doentes e frequentemente precede em vários anos o início dos sintomas sicca. O envolvimento pulmonar e do sistema nervoso periférico, sobretudo sensitivo, atinge entre 10 a 20% dos doentes. A doença renal clinicamente significativa na DS está presente em cerca de 5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe um risco aumentado para o desenvolvimento de linfoma em doentes com DS, sendo o linfoma de tecido linfoide associado à mucosa (MALT) o mais comum, sobretudo nas glândulas parótidas. A biópsia das glândulas salivares é considerada o <em>gold standard</em>, apesar de o uso da ecografia estar em contínuo desenvolvimento e difusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento da DS tem como objetivo a redução dos sintomas sicca, assim como o controlo das suas manifestações sistémicas. Para além de ser fundamental o descarte de diagnósticos diferenciais no momento do diagnóstico, é também necessário avaliar a extensão dos órgãos afetados e delinear um tratamento e <em>follow-up</em> de acordo com as características do fenótipo dos pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De momento, não existe nenhum tratamento que comprovadamente possa reverter a disfunção glandular. A imunossupressão não está recomendada nos doentes com apenas sintomas sicca. A corticoterapia e outros imunossupressores (azatioprina, micofenolato de mofetil, ciclofosfamida e rituximab) devem ser apenas utilizados em manifestações da DS ameaçadoras de órgão.</p>
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		<title>Síndrome antifosfolipídica: desafios no diagnóstico e na abordagem terapêutica</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/sindrome-antifosfolipidica-desafios-no-diagnostico-e-na-abordagem-terapeutica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 15:49:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Daniela Marado, especialista em Medicina Interna da ULS Coimbra, analisa os principais desafios clínicos associados à síndrome antifosfolipídica, sublinhando a relevância do seu diagnóstico e do tratamento adequado, no contexto do dia mundial dedicado a esta doença autoimune sistémica. Leia o artigo de opinião. A síndrome antifosfolipídico (SAF) é uma doença autoimune sistémica que continua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Daniela Marado</strong>, especialista em Medicina Interna da ULS Coimbra, analisa os principais desafios clínicos associados à síndrome antifosfolipídica, sublinhando a relevância do seu diagnóstico e do tratamento adequado, no contexto do dia mundial dedicado a esta doença autoimune sistémica. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome antifosfolipídico (SAF) é uma doença autoimune sistémica que continua a ser subdiagnosticada, apesar dos seus potenciais efeitos devastadores. Assinalado anualmente a 9 de junho, o dia mundial do SAF pretende aumentar a consciencialização sobre esta doença e destacar os avanços científicos na sua abordagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A SAF caracteriza-se pela presença persistente de autoanticorpos antifosfolipídicos no sangue, como os anticardiolipina, anti-β2-glicoproteína I e o anticoagulante lúpico, que induzem um estado de hipercoagulabilidade, favorecendo a formação de coágulos em veias e artérias. Estes fenómenos podem manifestar-se de forma diversa, desde tromboses venosas profundas, acidentes vasculares cerebrais em adultos jovens, até complicações obstétricas, como abortos de repetição, pré-eclâmpsia e mortes fetais intrauterinas. Existem manifestações menos reconhecidas de SAF, como trombocitopenia, doença microvascular e doença valvular cardíaca, que não devem ser esquecidas. O diagnóstico baseia-se em aspetos clínicos e laboratoriais. É necessário documentar a existência de uma manifestação clínica, associada a positividade persistente de anticorpos antifosfolipídicos, detetados em duas amostras com pelo menos 12 semanas de intervalo (não podendo esta positividade estar separada das manifestações clínicas em mais de 3 anos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento dos eventos trombóticos baseia-se, na maioria dos casos, na anticoagulação crónica, frequentemente com varfarina, mantendo-se o INR em níveis terapêuticos. Em situações obstétricas, o tratamento deve ser o mais individualizado possível, dependendo do risco que se estratifica para cada gestante e para cada fase da respetiva gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dia mundial do SAF é uma oportunidade para informar, esclarecer e envolver a comunidade médica e científica na luta contra uma doença que pode ter impacto profundo na qualidade de vida de quem dela padece.</p>
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		<title>Uma homenagem ao pioneirismo clínico e à colaboração científica nacional</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/uma-homenagem-ao-pioneirismo-clinico-e-a-colaboracao-cientifica-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 May 2025 11:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assinalado a 20 de maio, o Dia Internacional da Doença de Behçet presta homenagem ao legado científico do médico que primeiro descreveu esta patologia rara e complexa, mas também relembra o papel marcante da investigação portuguesa na sua caracterização. Num artigo de opinião publicado no âmbito da efeméride, Jorge Crespo destaca o contributo pioneiro da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Assinalado a 20 de maio, o Dia Internacional da Doença de Behçet presta homenagem ao legado científico do médico que primeiro descreveu esta patologia rara e complexa, mas também relembra o papel marcante da investigação portuguesa na sua caracterização. Num artigo de opinião publicado no âmbito da efeméride, <strong>Jorge Crespo</strong> destaca o contributo pioneiro da Medicina Interna nacional na construção de uma rede colaborativa multidisciplinar, que viria a integrar os estudos internacionais responsáveis pela definição dos atuais critérios diagnósticos. Leia o artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha do dia 20 de Maio para assinalar o Dia Internacional da Doença de Behçet está intimamente ligada ao nascimento do Dr. Hulûsi Behçet, dermatologista turco que, em 1937, descreveu pela primeira vez a tríade de sintomas hoje reconhecida como característica desta entidade clínica: úlceras orais, úlceras genitais e inflamação ocular [1].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sua publicação original, Behçet sugeria tratar-se de uma doença infecciosa de origem viral, apoiando-se na distribuição geográfica dos casos — mais comum ao longo da chamada “Rota da Seda” — e sugerindo uma possível relação com factores ambientais ou infeciosos, então prevalentes nessas regiões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje sabemos que a Doença de Behçet (DB) resulta de uma resposta auto-inflamatória em indivíduos geneticamente predispostos, com destaque para o envolvimento do HLA-B51 e de outras interacções genéticas que contribuem para o desequilíbrio da imunidade inata. Contudo, reconhece-se que factores infeciosos (como certas bactérias ou vírus) podem actuar como desencadeantes em pessoas susceptíveis — o que, curiosamente, dá alguma validade à intuição original de H. Behçet, embora não como causa directa, mas como elemento precipitante.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Consciencialização global, memória nacional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o apoio de organizações como a American Behcet’s Disease Association (ABDA) e a Behçet’s UK, esta data tem sido usada para promover eventos dirigidos aos doentes, iniciativas de consciencialização pública e campanhas de incentivo ao diagnóstico precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, importa recordar o contributo da nossa especialidade para o conhecimento da doença. Em 1997, foi publicado na nossa revista <em>Medicina Interna</em> o primeiro levantamento nacional sobre esta patologia [2].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo resultou do primeiro grupo de investigação colaborativa dinamizado pelo então recém-formado NEDAI da SPMI, através da criação do Grupo Nacional para o Estudo da Doença de Behçet.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma rede nacional de colaboração multidisciplinar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Liderado pela Medicina Interna, participaram neste levantamento 16 centros hospitalares portugueses, distribuídos por todas as regiões do país, e reunindo especialistas de Medicina Interna, Oftalmologia, Dermatologia e Reumatologia. Esta multidisciplinaridade contribuiu de forma decisiva para a partilha de conhecimento, para a consolidação de experiências clínicas e para a estruturação de uma rede de proximidade entre especialistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta colaboração resultaram trabalhos adicionais, entre os quais se destaca a partilha de doentes e de casos-controlo, que viriam a integrar os estudos internacionais para a formulação dos actuais critérios diagnósticos da DB – os ICBD (International Criteria for Behçet’s Disease) [3].</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma data para informar, lembrar e agradecer</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assinalar o Dia Internacional da Doença de Behçet é, também, reconhecer o esforço contínuo da comunidade médica portuguesa e da Medicina Interna em particular, no estudo das doenças raras e autoimunes. É celebrar a ciência colaborativa, a visão clínica e o compromisso com os doentes.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Behçet H. Über rezidivierende, aphtöse, durch ein Virus verursachte Geschwüre am Mund, am Auge und an den Genitalien. Dermatol Wochenschr (<em>Sobre úlceras recorrentes, aftosas, causadas por um vírus na boca, nos olhos e nos genitais)</em>. 1937;105:1152–1157.</li>



<li>Crespo J., em nome do  Grupo Nacional para o Estudo da DB. Doença de Behçet – Casuística Nacional. Medicina Interna. 1997;4(4):225–232.</li>



<li>International Team for the Revision of the International Criteria for Behçet&#8217;s Disease (ITR-ICBD). The International Criteria for Behçet’s Disease (ICBD): a collaborative study of 27 countries on the sensitivity and specificity of the new criteria. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2014 Mar;28(3):338–347.</li>
</ol>
<p>O conteúdo <a href="https://myimunologia.pt/opiniao/uma-homenagem-ao-pioneirismo-clinico-e-a-colaboracao-cientifica-nacional/">Uma homenagem ao pioneirismo clínico e à colaboração científica nacional</a> aparece primeiro em <a href="https://myimunologia.pt">My Imunologia</a>.</p>
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		<title>Diagnóstico precoce é chave no combate à Espondilite Anquilosante</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/diagnostico-precoce-e-chave-no-combate-a-espondilite-anquilosante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 08:55:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito da comemoração dos Dias das Doenças Autoimunes, assinalou-se este sábado, 3 de maio, o Dia Mundial da Espondilite Anquilosante. Em artigo de opinião, Sofia Pinheiro, médica da ULS Lisboa Central – Hospital dos Capuchos, alerta para os desafios no diagnóstico precoce desta patologia muitas vezes confundida com dores lombares comuns, sublinhando a importância [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myimunologia.pt/opiniao/diagnostico-precoce-e-chave-no-combate-a-espondilite-anquilosante/">Diagnóstico precoce é chave no combate à Espondilite Anquilosante</a> aparece primeiro em <a href="https://myimunologia.pt">My Imunologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da comemoração dos Dias das Doenças Autoimunes, assinalou-se este sábado, 3 de maio, o Dia Mundial da Espondilite Anquilosante. Em artigo de opinião, <strong>Sofia Pinheiro</strong>, médica da ULS Lisboa Central – Hospital dos Capuchos, alerta para os desafios no diagnóstico precoce desta patologia muitas vezes confundida com dores lombares comuns, sublinhando a importância de sensibilizar a população e formar os profissionais de saúde para uma intervenção rápida e eficaz. Leia o artigo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Espondilite Anquilosante faz parte de um grupo de um grupo muito heterogéneo de doenças inflamatórias, as espondilatropatias. Têm em comum o facto de serem crónicas, envolverem a coluna, mas também outras articulações e tendões e evoluírem para a deformidade e incapacidade se não forem atempadamente reconhecidas e tratadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico precoce é assim fundamental bem como a rápida instituição do tratamento, mas colocam-nos, ambos, alguns desafios já que as queixas iniciais podem facilmente ser subvalorizadas pelo individuo e/ou não reconhecidas por um médico menos diferenciado nesta área ao constituírem uma “simples” dor lombar frequentemente atribuída a questões posturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Será assim importante educar a população para a existências desta doença e promover a formação dos profissionais de saúde no sentido de facilmente reconhecerem e referenciarem os indivíduos com Espondilite Anquilosante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento pode também colocar algumas dificuldades determinadas pela necessidade de englobar múltiplas estratégias nem sempre fáceis de articular, desde uma “básica” mudança de estilo de vida nem sempre conseguida até às medidas farmacológicas cuja seleção e vigilância obrigam ao acompanhamento por especialista na área e passando pelas fundamentais terapêuticas e estratégias físicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para terminar referir que apesar de vários desafios o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz permitem controlar a inflamação e assim abolir a dor e manter a qualidade de vida e prevenir a lesão estrutural e a incapacidade.</p>
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		<item>
		<title>Doenças reumáticas: dor e incapacidade funcional</title>
		<link>https://myimunologia.pt/opiniao/doencas-reumaticas-dor-e-incapacidade-funcional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2024 09:53:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As doenças reumáticas representam um desafio crescente para a Saúde Pública, afetando milhões de pessoas em todo o mundo, com impacto direto na qualidade de vida e na capacidade funcional dos doentes. Neste artigo de opinião, Carlos Carneiro, coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, aborda a complexidade [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myimunologia.pt/opiniao/doencas-reumaticas-dor-e-incapacidade-funcional/">Doenças reumáticas: dor e incapacidade funcional</a> aparece primeiro em <a href="https://myimunologia.pt">My Imunologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As doenças reumáticas representam um desafio crescente para a Saúde Pública, afetando milhões de pessoas em todo o mundo, com impacto direto na qualidade de vida e na capacidade funcional dos doentes. Neste artigo de opinião, Carlos Carneiro, coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, aborda a complexidade destas patologias, que abrangem desde artropatias inflamatórias até doenças metabólicas e osteoartrose. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualidade exige-nos olhar para estes dias com um enorme sentido de responsabilidade e foco centrado no doente.&nbsp;A dor e a incapacidade funcional são aspetos transversais as diferentes doenças reumáticas e determinam na maior parte dos casos, perda de qualidade de vida e limitação na realização das atividades de vida diária com grave impacto socioeconómico. São doenças que constituem um grupo de patologias e alterações funcionais do sistema músculo-esquelético que incluem as artropatias inflamatórias, as doenças sistémicas autoimunes, as doenças metabólicas e a osteoartrose.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se que metade dos portugueses terão sintomas decorrentes de uma doença reumática ao longo da sua vida. No entanto, importa reconhecer que as doenças reumáticas compreendem um conjunto muito heterogéneo de patologias e, por isso, com diferentes prevalências em que a fadiga, a incapacidade funcional e a depressão têm um impacto profundo na atividade laboral e na integração do individuo na sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos assistido a uma evolução ao longo dos anos na forma como encaramos o diagnóstico e o aparecimento de novas terapêuticas. Desde o “ treat to target”, passando pela medicina baseada na evidencia, até aos novos desenvolvimentos da Medicina de Precisão e do papel “incógnito” no momento da inteligência artificial, temos que perceber que todas estas formas de diagnóstico só são úteis se incidirmos sob uma terapêutica individualizada para os nossos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança do paradigma atual passa por vários níveis: em primeiro lugar, pelos médicos, pela sua educação médica na medida em que a formação, diferenciação e multidisciplinaridade permite um diagnóstico precoce e a discussão integrada de patologias com envolvência sistémica onde por vezes os biomarcadores da doença não são patognomónicos da mesma. Em segundo lugar temos que apostar na literacia dos nossos doentes. O doente deverá ser o gestor da sua doença se tiver ao seu dispor o máximo de informação sobre a sua patologia bem como um plano pré-estabelecido do seguimento, medidas preventivas e da forma como atuar em “flairs” da sua doença. Por último temos que investir na proximidade com os nossos doentes e reforçar a relação médico-doente com um exame objetivo e história clínica mais pormenorizada possível de maneira a que não se perca a “janela de oportunidade” para um diagnóstico atempado que modifique a evolução da doença e previna o dano estrutural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da variabilidade das doenças reumáticas existem fatores de risco comuns sobre os quais podemos atuar. A obesidade, os défices nutricionais, a atividade física inadequada e o consumo de tabaco associam-se a um aumento do risco e gravidade das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. A alteração efetiva e consistente de estilos de vida, apoiada pela avaliação por profissionais de saúde especializados, é determinante num processo abrangente de capacitação do doente para o controlo da sua patologia. A adesão a estas medidas torna-se essencial à melhoria do prognóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>É por isso, fundamental que os decisores políticos e a sociedade em geral criem condições para a implementação destas medidas e contribuam para a modificação de hábitos de estilo de vida saudáveis e amplifiquem uma abordagem articulada e multidisciplinar dos doentes com doenças reumáticas.</p>
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